17 de nov. de 2011

Arquivo: Baterias Universitárias da USP

por Erica

As matérias abaixo foram publicadas pelo Jornal do Campus, um jornal de circulação interna da USP totalmente produzido por alunos do curso de Jornalismo da ECA-USP e que trata principalmente de assuntos relacionados ao cotidiano da Cidade Universitária. As reportagens que seguem são da edição 371 de setembro de 2010. Agradecemos ao JC pela disponibilização desses materiais!

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USP em ritmo de samba
por Beatriz Amendola e Lucas Rodrigues

Combinando música com esporte, as baterias transmitem a tradição e a técnica entre os alunos, que aprendem uns com os outros jogos

Nas torcidas dos jogos universitários, nas festas ou nas tardes de ensaio, elas sempre estão presentes. Já consideradas uma modalidade nas atléticas, as baterias fazem parte do cotidiano de muitos uspianos interessados em torcer e curtir uma boa música. E, em meio ao ritmo inconfundível de tamborins, caixas e surdos, elas têm muitas histórias para contar.



A primeira bateria de que se tem notícia é a da Medicina, fundada em 1983. Segundo Rafael Severino, Diretor da Modalidade (DM) na faculdade, a bateria começou pequena, com apenas três ou quatro instrumentos, e foi crescendo ao longo dos anos. E foi somente em 1997 que suas músicas começaram a ficar mais parecidas com os sambas que ouvimos no carnaval.Hoje, a bateria conta com cerca de 40 alunos e desfila num bloco de rua pré-carnavalesco, o Folia, que mobiliza grande parte dos alunos da medicina e tem acontecido todos os anos desde 2003, saindo da região da Luz.

No caso da Rateria, a bateria da Poli, tudo começou em 1997, com a vontade de alguns amigos em criar uma roda de samba na faculdade. Segundo Gonzalo Peinado (Argentino), atual mestre da Rateria, com o passar do tempo as pessoas foram gostando e o grupo aumentou. Desde então, “a Rateria tomou mais os moldes de uma bateria universitária”, explica. De acordo com ele, foi com o apoio do Grêmio e da Atlética que, posteriormente, a Rateria começou a adquirir, também, uma cara de bateria de torcida.

Gonzalo conta ainda que o desenvolvimento técnico da bateria se deu através de alguns membros que iam ensaiar em escolas de samba, e repassavam o que aprendiam para os outros integrantes. “Foi completamente artesanal”, afirma. Sobre o apoio da Universidade nesse processo, diz que, no começo, eram vistos apenas como um grupo de alunos que faziam barulho, mas que, agora, recebem diversas propostas da própria USP para tocar em seus eventos.


A Rateria em 1999, dois anos após sua fundação (foto: Arquivo da Rateria)


Relação com a USP
Em 2007, devido a queixas relacionadas a ensaios em locais que atrapalhavam aulas e outras atividades administrativas, a Coordenadoria do Campus da Capital (Cocesp) entrou em contato com as baterias para que buscassem uma solução que beneficiasse a todos. “Não se cogitava proibir os ensaios, apenas encontrar um jeito deles se integrarem de uma maneira harmônica com as demais atividades realizadas no campus”, diz Cristina Guarnieri, diretora de relações institucionais da Cocesp.

Com contribuição do Cepeusp, as baterias agora ensaiam fixamente na raia, onde foram construídos um piso e uma cobertura para acomodar os grupos. Atualmente, a Cocesp mantém esse relacionamento com seis baterias (Rateria, Batereca, Bateria S/A, Bateria Duracell, Bateria da FAU e a Cia. Maracaxá, um grupo de Maracatu), mas, segundo Cristina, há planos de expandir as negociações com outros grupos que ainda ensaiam no campus.

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Grupos novos e pequenos buscam evolução
por Thales Luvisotto

Os sons de batuque são ouvidos ao dar uma volta pela Cidade Universitária, normalmente depois das 18 horas, não são apenas das baterias maiores e mais tradicionais. Várias faculdades começaram a estruturar suas baterias há pouco tempo, mas isso não quer dizer que haja menos envolvimento ou disposição para ensaiar.

A Farmatuque, da Faculdade de Farmácia, começou a ser estruturada, oficialmente, depois de 2003, quando alguns veteranos juntaram dinheiro para comprar os primeiros instrumentos. Atualmente, conta com 20 membros, quase todos do primeiro ano, “porque a partir do segundo ano, os alunos pensam em estágio e iniciação científica, deixando os ensaios de lado”, afirmou Eduardo Chang, mestre da Farmatuque. Desvinculada da Atlética, o dinheiro para a manutenção dos instrumentos vêm de mensalidade que os integrantes pagam, a fim de manter uma boa estrutura para tocarem nas competições universitárias que participam, como o InterUSP e a Copa Farma.

Um pouco mais recente, a IMEteria, do Instituto de Matemática e Estatística (IME), começou em 2006, quando o aluno Marcio Chiara foi convidado pelo presidente da Atlética da época, Rodolfo Pereira, por ser integrante da escola de samba X-9 Paulistana. Hoje em dia, 15 pessoas participam dos ensaios, que visam o aperfeiçoamento para tocarem em outros jogos universitários.


Bateduca, da FE, ainda está se estruturando (foto: Thales Luvisotto)

Em 2009, quatro alunos da Faculdade de Educação (FE) conversaram com os mestres da Poli e da ECA para ajudá-los a estruturar sua própria bateria, que hoje tem cerca de 10 membros. Ainda em fase de estruturação, Igor Oliva, um dos idealizadores da Bateduca, falou sobre os planos pra bateria: “Não temos interesse em fazer torcida, queremos só nos divertir fazendo um som”. Completamente desvinculada da Atlética, já que esta não tem força dentro da FE, o dinheiro para compra dos instrumentos vêm de um acordo com o Centro Acadêmico, a partir da venda de cerveja nas festas. Está em andamento uma votação, entre todos os alunos da FE, para a escolha do logo da bateria. Foi por meio de votação, também, que decidiram quais eram os melhores dias e horários para ensaiar, numa tentativa de que muitos pudessem comparecer. Em relação às apresentações, Igor completa: “Ainda não tocamos em eventos. São vários passos, estamos no primeiro: fixar a galera.”

Também em 2009, alunos da Faculdade de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Fofito) tentaram montar uma bateria, mas não tiveram sucesso. “Usando os instrumentos e a ajuda técnica do pessoal da Poli, os ensaios duraram só o primeiro semestre. No segundo, o pessoal desencanou de ensaiar”, afirmou Lucas Tonicelli, aluno de fisioterapia que estava à frente da formação da bateria da Fofito.